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A empresa mudou da escala 6x1. Seu PGR também mudou?

  • Foto do escritor: Patrícia Duarte Oliveira
    Patrícia Duarte Oliveira
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Muitas empresas estão discutindo a possível redução da jornada de trabalho e o fim da tradicional escala 6x1. Grande parte das conversas gira em torno dos impactos financeiros, da produtividade e da necessidade de contratar mais pessoas. Mas existe uma pergunta que poucos empresários estão fazendo:


Se a organização do trabalho mudou, o seu PGR continua refletindo a realidade da empresa?


A resposta pode surpreender.


O PGR não é um documento estático

Existe um erro muito comum nas empresas: acreditar que o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) é elaborado uma única vez e permanece válido até a próxima fiscalização. Não é assim. O PGR precisa representar fielmente as condições reais de trabalho. Sempre que houver mudanças capazes de alterar os riscos existentes, o gerenciamento também precisa ser revisto. E a jornada de trabalho faz parte dessa equação.


O que muda quando muda a escala?

A escala de trabalho interfere diretamente na organização da atividade.

Ela influencia fatores como:

  • tempo de exposição aos riscos;

  • períodos de descanso;

  • fadiga física;

  • fadiga mental;

  • produtividade;

  • ritmo de trabalho;

  • necessidade de pausas;

  • dimensionamento das equipes;

  • distribuição das tarefas.


Ou seja, mudar a escala pode significar mudar o próprio cenário de riscos da empresa.


A NR-1 ampliou essa responsabilidade

Com as alterações da NR-1, o olhar sobre os riscos ocupacionais deixou de considerar apenas agentes físicos, químicos e biológicos. Os fatores psicossociais passaram a integrar o gerenciamento de riscos. Isso significa que aspectos relacionados à organização do trabalho também precisam ser avaliados.


Entre eles:

  • excesso de carga de trabalho;

  • jornadas prolongadas;

  • pressão por produtividade;

  • baixa autonomia;

  • conflitos organizacionais;

  • sobrecarga emocional;

  • fadiga decorrente da organização da jornada.


Se a forma de organizar o trabalho muda, faz sentido perguntar: Os riscos continuam sendo os mesmos?


A redução da jornada elimina os riscos?

Infelizmente, a resposta real é: Não necessariamente.


Uma empresa pode reduzir a jornada e, ao mesmo tempo, aumentar o ritmo de trabalho para compensar as horas perdidas. Pode reduzir dias trabalhados, mas concentrar ainda mais atividades em menos tempo. Pode manter o mesmo número de colaboradores realizando exatamente a mesma demanda. Nesses casos, alguns riscos podem até aumentar.


O importante não é apenas a quantidade de horas. É como o trabalho está sendo organizado.


E se a empresa aumentar o quadro de funcionários?

Essa também é uma consequência possível. Para manter a operação, muitas empresas precisarão contratar novas pessoas. Isso altera diversos aspectos do gerenciamento de riscos:

  • treinamentos;

  • integração;

  • comunicação;

  • supervisão;

  • organização operacional;

  • distribuição das atividades.


Quanto maior a mudança organizacional, maior a necessidade de revisar o gerenciamento dos riscos.


O PGR acompanha a realidade, não a legislação

É importante esclarecer um ponto: Não existe uma regra dizendo que qualquer alteração na escala obriga automaticamente a elaboração de um novo PGR.


O que existe é uma obrigação permanente de manter o gerenciamento de riscos atualizado de acordo com a realidade da empresa.


Se a mudança na jornada modificar os riscos ocupacionais existentes, o PGR deve refletir essa nova condição. Em outras palavras: Não é a mudança da escala que exige a revisão. É a mudança dos riscos.


Como saber se o PGR precisa ser atualizado?

Algumas perguntas ajudam nessa análise:

  • Houve alteração da jornada?

  • O ritmo de trabalho mudou?

  • As pausas foram modificadas?

  • Houve redistribuição das equipes?

  • Foram contratados novos colaboradores?

  • A carga de trabalho aumentou?

  • A pressão por produtividade ficou maior?

  • Os fatores psicossociais se alteraram?


Se a resposta for "sim" para uma ou mais dessas perguntas, vale a pena reavaliar o gerenciamento de riscos.


Como a Work Medicina do Trabalho pode ajudar?

A Work Medicina do Trabalho acompanha as mudanças na legislação e auxilia empresas a manterem seus programas de gerenciamento alinhados com a realidade operacional.


Nossa atuação inclui:

  • revisão do PGR;

  • avaliação dos riscos psicossociais;

  • apoio na adequação à NR-1;

  • orientação sobre mudanças organizacionais;

  • atualização do gerenciamento de riscos;

  • suporte técnico para redução de passivos trabalhistas.


Mais do que cumprir uma obrigação legal, um PGR atualizado permite que a empresa tome decisões baseadas em riscos reais e proteja seus colaboradores de forma mais eficiente.

Conclusão

A discussão sobre a escala 6x1 vai muito além da jornada de trabalho.


Ela pode modificar a dinâmica das equipes, alterar a exposição aos riscos e transformar a forma como o trabalho é executado.


E toda mudança relevante merece uma pergunta simples:


O seu PGR ainda retrata a realidade da empresa?

Se a resposta for "talvez", provavelmente já é hora de reavaliá-lo. A prevenção sempre custa menos do que corrigir problemas depois. E, quando o assunto é segurança e saúde no trabalho, informação atualizada também é uma forma de proteção.

 
 
 

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